C O N T R A M Ã O


REFLEXÃO PARA 2008

Borboleta púrpura, filme de Lou Ye.
O INFERNO
 
Oh, quão magnífico é o inferno!
No inferno ninguém fala da morte.
O inferno é murado no interior da terra
e enfeitado com flores em brasa...
No inferno ninguém diz palavra vazia...
No inferno ninguém bebe e ninguém dorme
e ninguém repousa e ninguém fica sentado.
No inferno ninguém fala; todos gritam.
Lá as lágrimas não são lágrimas e todo pesar é impotente.
No inferno ninguém adoece e ninguém se cansa.
O inferno é imutável e eterno.
 
EDITH SÖDERGRAN. Poetisa finlandesa nascida em 1892 e morta precocemente em 1923. Sua poesia, quase toda escrita em sueco, é livre de amarras formais e cunhada numa linguagem direta, concisa e irônica. Dotada de uma visão de mundo original, pessoal e intempestiva, a poetisa acabou acusada de megalomania. O poema acima, irônico por excelência, foi extraído do volume Poemas (São Paulo: Cone Sul, 2001), em tradução de Marcello Rolim Coelho.


Escrito por Mayrant Gallo às 10:47
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UM POEMA-LIMITE

Cena de Limite, filme de Mário Peixoto.
 
O ÚLTIMO
 
Gostaria que os ETs existissem
Nossos vizinhos no Cosmo.
Não seríamos assim tão petulantes com eles em frente.
E que um dia no ar descessem naves como neve.
 
Quando criança, pensava que jamais morreria.
Ah, estúpido!
Não só fui morto como sigo insepulto.
 
Meu nome é sombra
Mesmo em sonho.
Quando sonho com meu nome é porque o esqueci e busco
Alguém que possa fazer-me lembrá-lo.
 
Me falaram de pátria, e eu digo que a pátria é a palavra
Qualquer uma
Mesmo merda droga
Contanto que em nosso idioma.
 
Esta bandeira que esvoaça não me pertence.
E não me diz senão o óbvio:
Que é só um pano verde na tarde
Um trapo com sorte.
 
Quando criança me obrigavam a cantar nosso hino
E é certamente por isso que hoje não o suporto
E quando o ouço me encolho até os ossos.
 
Sou o último a chegar, o último a sair.
O último a perceber que sou o último.
 
Já tentei o desenho, a escrita, a música.
O que desenhei não tinha fundo.
O que escrevi era furto.
O que compus compunha-me.
Ah, inútil!
 
Sou ultrapassado antes mesmo da partida.
Sou partido antes mesmo de partir-me
Em dois, três, quatro, por sobrevivência.
 
Fui assim sempre
Sempre assim:
Uma mentira.
 
E não há nada a fazer, senão rir.
 
MAYRANT GALLO. Poema do livro inédito Os prazeres e os crimes.


Escrito por Mayrant Gallo às 19:12
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