C O N T R A M Ã O


CONTO

Egon Schiele (1890-1918).

A MOÇA RUIVA DE SCHIELE

Por algum tempo, aquilo chegou a irritar Agnes. Durante anos eles a convidaram para ir à casa deles ver o quadro. Um quadro de Egon Schiele, cuja moça (uma ruiva em trajes quase andrajosos) se parecia muito com ela. Pois Agnes nem sabia quem fora aquele pintor. A que pátria pertencera, que idioma falava, por que pintava. Nem mesmo a época em que vivera. Embora, de fato, o nome soasse bem: Egon Schiele.

A bem da verdade, as dúvidas que mantinha em relação ao pintor não eram diferentes das que a uniam ao casal. Quando se conheceram? Havia alguns anos. Em que circunstâncias? Literárias. Por que continuavam se vendo? Por acaso: apenas porque, assim como os espelhos refletem qualquer coisa que esteja à sua frente, pessoas encontram outras pelos caminhos. Gostavam-se? Provavelmente não: gostar excede qualquer razão e prolonga os verões. Mesmo assim viam-se com freqüência e conversavam, às vezes animadamente. Agnes era sozinha, mas nem sempre estava sozinha. Ainda assim eles não agiam de outro modo. Tratavam-na da mesma forma, gentil e educada, e lançavam ao seu parceiro de então olhares antes compassivos que reprovadores. Mas ela sabia que mais cedo ou mais tarde diriam: você não foi ver o quadro da moça que se parece com você; vá, você vai adorar; vamos ficar na cidade este fim de semana; escolha: pode ser no sábado ou no domingo, tanto faz, você decide; estaremos em casa, apareça. E voltavam a lhe fornecer o endereço. E voltavam a detalhá-lo, precisando tal ponto do bairro, a rua, a padaria além da qual ficava o prédio...

E vários meses se passavam até que voltassem a se reencontrar. E então o casal era o mesmo. E estava ali, naquele lançamento de livro ou em tal exposição de arte, no MAM. Ou talvez naquele concerto erudito e jamais esperado, que era como um óvni em praça pública. E voltavam a reiterar o convite. A comentar o quadro. A lhe dizer que fosse à casa deles. Que a moça se parecia muito com ela. Que a moça era bonita como ela, com um ar sensual, mas invulgar, e que o mais surpreendente de tudo era que suas roupas, embora presentes, pareciam não estar ali, tamanha a sensualidade. E então Agnes ficava apreensiva, ainda mais reticente, levemente constrangida e, claro, desconfiada. Sempre houve no mundo esses desejos, sempre houve no mundo essas vontades, tais insinuações, para as quais se encontram os mais ardilosos pretextos. Como aquele suposto quadro, que Agnes nem sequer tinha certeza de que existia. De um pintor à parte, abortado dos grandes influxos da pintura do Ocidente.

Houve um tempo em que ela passou a fugir do casal. A evitar os lugares e eventos aos quais os dois pudessem comparecer. Então praticamente não saía de casa, exceto para trabalhar e ir ao supermercado. Afinal, se os conhecera num evento artístico, e levando-se em conta que atualmente tudo era arte (uma definição de idiotas), ela os poderia encontrar em qualquer lugar. Houve igualmente um tempo em que Agnes, resignada, passou a lhes oferecer carona (eles nunca a recusavam, talvez esperançosos de que ela enfim subisse para ver o quadro) e inadvertidamente os deixava na porta de casa. Portanto, já conhecia o bairro, a rua, a tal padaria, o prédio, e poderia chegar ao casal e ao quadro, até mesmo de olhos fechados. Nem tanto, claro. Força de expressão, linguagem figurada. Mas, de certo modo, fizera aquilo com o propósito de avançar um pouco e lhes dar esperança, sem assumir necessariamente qualquer compromisso, nem ao menos de fundo psicológico. Reconhecia, no entanto, que superara um obstáculo, avançara um degrau.

Pegou-se um dia escarafunchando a internet em busca de informações sobre o pintor. Leu sobre sua vida, sua obra, as dificuldades que enfrentara, a relação com os parentes, com os amigos, a projeção de sua pintura, como desenvolvera seu estilo e como, pouco a pouco, seus trabalhos se impuseram e ganharam projeção. Nos vários museus virtuais que percorreu pôde conhecer e admirar quadros tão belos e sedutores quanto estranhos e ousados. Era de fato um pintor a um só tempo magnânimo e destemido. Ou você o amava ou odiava. Curiosamente ela o amou. Desde o início.

Agora vivia a procurar o casal nos eventos a que comparecia (e foram muitos). E até no cinema, onde jamais os encontrara, ainda mais cinemas de shopping centers, evitados por pessoas criteriosas (Agnes achava que o casal era muito criterioso). E nas praias, embora intuísse que eles jamais fossem à praia, que eram noctívagos, de se divertir à noite e dormir de dia, numa antecipação funcional a um sombrio futuro de providenciais inversões. Suposições apenas, pois sabia muito pouco a respeito do casal, que, no momento (ela tinha de reconhecer), estava sumido. Temeu que tivessem morrido, num acidente, porquanto ainda eram jovens e aparentavam saúde, e que o quadro tivesse sido recolhido a algum museu ou a uma galeria, das poucas existentes na cidade. Não, isso era impossível. Não era um quadro original, mas uma simples reprodução. Só então lhe ocorreu que não achara, nos museus virtuais, o mencionado quadro da garota que se parecia com ela...

Compreendeu, num fim de tarde, que não os veria nunca mais. Nem talvez ao quadro. Que perdera uma oportunidade. Que desprezara uma sorte. E por quê? Por nada. Por desconfiança, antipatia gratuita, receio. Por impaciência, falta de tempo, um cansaço que não era verdade, um incômodo que, embora genuíno, poderia facilmente ser compensado. Ou ela já não era adulta o suficiente para cuidar de si própria? Era, mas preferira a fuga ao envolvimento, a indiferença à educação. Agora sentia o peso da distância e o assomo ingrato da curiosidade, crescente como uma onda vindo.

Então, numa noite, voltando de uma apresentação teatral, pareceu-lhe que avistara a mulher, mas sozinha, sem o marido. Saía de uma farmácia da Graça e andava apressada, a olhar para um lado e outro. Agnes parou o carro e se acercou da mulher.

"Oh, é você!", a outra disse, sorridente e aliviada. O marido morrera meses antes, e ela estava de partida para a Europa. "O quadro? Bem, o vendemos. Era inevitável, a doença dele comeu todos os nossos recursos."

"Era original então?", Agnes riu, o olhar radiante.

"Claro que era! O que pensava? Jamais tivemos reproduções em nossa casa."

"E onde está agora?"

"Longe, infelizmente. Na Suíça ou na Holanda, não sei bem. Um grande colecionador o arrematou. Uma obra menor de Schiele, mas muito bonita, e a moça se parecia com você... Bem, vou indo. Até breve."

"Até. E minhas condolências", Agnes conseguiu ajuntar, apesar do bolo que lhe apertava o peito.

A mulher não parou, nem se voltou. Seguiu em frente como se não tivesse ouvido coisa alguma.

"Sim, isso, minhas condolências", repetiu para si mesma.

MAYRANT GALLO. Correio da Bahia, em 11/02/2007.



Escrito por M. Gallo às 10:12
[   ] [ envie esta mensagem ] [ ]




UM POEMA DE ARCHIBALD MACLEISH

 Foto: Fábio Sabatini.

ARS POETICA

Um poema deve ser palpável, silencioso,
como um fruto redondo.

Mudo
como os velhos medalhões ao toque dos dedos.

Silente
como o gasto peitoril de uma janela em que cresceu o musgo.

Um poema deve ser calado
como o vôo dos pássaros.

Como a lua que sobe,
um poema deve ser imóvel
no tempo,

deixando, memória por memória, o pensamento,
como a lua detrás das folhas de inverno;

deixando-o como, ramo a ramo, a lua solta
as árvores emaranhadas na noite.

Um poema deve ser imóvel
no tempo
como a lua que sobe.

Um poema deve ser igual a:
não a verdade.

Para toda a história da dor,
uma porta franqueada e uma folha de ácer.

Para o amor,
as gramíneas inclinadas e duas luzes sobre o mar.

Um poema deve ser,
e não significar.
 

ARCHIBALD MACLEISH. Poeta norte-americano, nascido em Illinois no ano de 1892. Lutou na Primeira Guerra Mundial e, de 1923 a 1928, esteve em exílio voluntário na Europa. Sua poesia é subjetiva e irônica, às vezes comprometida com os problemas sociais. Foi igualmente ensaísta e dramaturgo renomado. Morreu em 1982, em Boston. Obras: Poems (1933), Panic (1935), Land of the free (1938), The american story (1944) e Collected poems (1952). Tradução do poeta Péricles Eugênio da Silva Ramos.

 A. Macleish, fotografado por John Maguire.



Escrito por M. Gallo às 12:15
[   ] [ envie esta mensagem ] [ ]




COMICIDADE, IRONIA OU LOUCURA?

O carteiro e o poeta, de Michael Radford.

Leva-lhe esta mensagem, Dorcás; mas atenção, repete-lhe
          tudo, Dorcás, duas ou três vezes. Corre,
não te atrases, voa. Um instante, um instante, Dorcás, pára.
          Por que te apressas sem antes saber tudo?
Acrescenta ao que te disse – ou melhor (que tolice a minha!),
          não lhe digas nada – mas não – dize-lhe tudo.
Não deixes de dizer-lhe. Apesar de mandar-te, Dorcás,
          vou contigo eu mesmo, vê, e à tua frente.

MELÊAGRO. Poeta grego do período entre 146 a. C. e 330 d. C. Jogando com o impasse e a dúvida, este poema constitui um raro exemplo de humor e ironia. É inegável o prazer que ele desperta no leitor, que parece visualizar toda a cena, digna de uma comédia familiar, embora o conteúdo da mensagem – motor da gangorra de ordens e contra-ordens – esteja propositalmente escamoteado. Extraído de Poemas da antologia grega ou palatina (São Paulo: Companhia das Letras, 1995), organizado e traduzido por José Paulo Paes.



Escrito por M. Gallo às 18:19
[   ] [ envie esta mensagem ] [ ]




SNOOPY E WOODSTOCK

Woodstock quer voar para
horizontes distantes,
mas ele não sabe
onde eles estão!

CHARLES M. SCHULZ. Criador do Snoopy e sua turma, e que imprimiu aos seus personagens uma dimensão humana e poética raramente vista no mundo dos quadrinhos. Tira extraída do Pequeno livro de estilo do Snoopy (São Paulo: Conrad, 2004).



Escrito por M. Gallo às 22:26
[   ] [ envie esta mensagem ] [ ]




CRÔNICA DE UM VERÃO ANTIGO

Secos & Molhados. 

UM DISCO E UM VERÃO

Um dos verões mais marcantes que vivi não está associado nem a sol nem a praia, menos ainda ao Carnaval, do qual jamais gostei, verdadeiramente. Ou a um amor, uma primeira paixão (e se fosse isso não seria aqui que o confessaria, se o confessasse, pois só a nós mesmos e a quem amamos interessa o que sentimos). Está ligado a um disco, para mim um dos mais bonitos que a música popular brasileira já produziu. Bem, o ano é 1973; e o disco, o primeiro dos Secos e Molhados, grupo misto de MPB, rock, jazz e qualquer outra coisa rarefeita e indefinida.

Eu tinha só onze anos e viera do Rio de Janeiro para passar as férias, de três meses rigorosamente (e hoje me espanta que as crianças fiquem de férias somente por ocasião do Natal, do Ano Novo e mais três semanas de janeiro, uma vez que não-estudar para mim é tão importante quanto estudar), na casa de minha tia, na Rua Castanheda, 30, Nazaré. Criança ainda, e numa casa tão grande que nos perdíamos, a consciência de que era verão e de que havia praia, sol, mar e um extenso céu azul sobre nossas cabeças era mínima. Além do mais, a Salvador daquela época funcionava para mim como uma espécie de contraste, e bem insólito: eu vinha de uma cidade pequena do Rio de Janeiro, Itacuruçá, litoral afamado para o qual acorriam turistas aos montes, inclusive estrangeiros (os beneficiários ianques da ditadura militar), e que no inverno tinha 2 mil habitantes e no verão, 12 mil. Vir para Salvador, portanto, e ficar encerrado em Nazaré, na Rua Castanheda, número 30, era para mim o mesmo que correr na contramão, trocar o meio praieiro, de regra, pelo urbano, de desvio: uma nova experiência, outros cheiros, outras imagens, outros sons. E o som daquele ano foi o dos Secos e Molhados. Sem dúvida.

Nas tardes-noites, depois da praia ou não, nos sentávamos à sala de estar (meus seis primos, eu e duas colegas deles, cariocas e lindas, que estavam hospedadas com minha tia) e ouvíamos canções supreendentes como Sangue latino, O vira, O patrão nosso de cada dia, Amor, Assim assado, El Rey, Mulher barriguda, Rosa de Hiroxima, Prece cósmica e Fala. Desafio qualquer um a me mostrar um disco cujas faixas, sem exceção, sejam tão belas, variadas, contundentes e poéticas quanto as desse primeiro disco dos Secos e Molhados. Claro que esta é a minha experiência, e há muitas outras; também a minha percepção, e há muitas outras...

No meio de uma ou outra canção, um de meus primos, mais alegre e expansivo, tomava pela mão uma prima ou uma das colegas e os dois dançavam (todos cantando as letras, a acompanhar o que era real e ao mesmo tempo um mistério, um sonho). E havia entre eles uma comunhão, uma troca, algo mais que se desprendia dos acordes e os alcançava, longe e profundo: "Eu não sei dizer/ Nada por dizer/ Então eu escuto". Ao fim da sessão, repetia-se o disco (e não poderia ser de outra forma) duas ou três vezes. As canções não se esgotavam, porque poéticas; as músicas não se exauriam, porque belas, vívidas, sedutoras; e o momento se perpetuava como se o tempo, numa concessão inédita, parasse, também ele fascinado com o que via e ouvia.

1973 foi um verão, foi um disco, uma música que desejava ser nova e o foi, mas foi sobretudo uma descoberta. Desconfio que naquele momento emergiu de mim, ainda que inconscientemente, o fascínio pela palavra poética (leia-se literatura) e pela vida (cenas, fatos, encontros, histórias): nada vale mais que duas pessoas que se encontram, um instante que partilham, um desejo ou sentimento que descobrem. Inventem o que quer que seja (religiões, entorpecentes, internet): nada substititui isso. Este é o motivo mais freqüente e humano da literatura e das artes. Patrick Modiano, escritor francês, compreende como ninguém essa condição irremediável de se achar a si mesmo no outro e, no seu estilo aparentemente vago e despretensioso, nos diz: "Nas grandes cidades, no verão, pessoas que se perderam de vista há muito tempo, ou então que não se conhecem, reencontram-se uma noite num terraço, depois se perdem de novo. E nada realmente tem importância". A vida é feita desses encontros que vêm e se vão. Um rosto perdido e de repente relembrado, sem que o desejássemos, e que por horas e dias retorna, para a nossa inquietação e a dolorosa compreensão do tempo, da vida que passa e nos deixa para trás.

Foi assim naquele verão de 1973. Aqueles instantes cheios de música e sentimento e que, só pela memória, podem ser agora resgatados. Hoje nem tenho mais contato com meus primos: a vida e as diferenças de espírito nos separaram. As duas moças se foram por suas trilhas e certamente nos esqueceram também, a todos. Todavia, aqueles dias de verão urbano, e mais precisamente aqueles raros instantes em que música, vida e percepção poética formaram uma única massa indivisível de experiência e prazer, sempre me voltam quando ouço, de novo, pela enésima vez, o disco dos Secos e Molhados. Um tempo está ali. E vida, trejeitos, descobertas, expansões, expectativas, sonhos. Éramos jovens e vivíamos o momento, embalados por uma música exuberante e legitimados por um verão que nos dizia que tudo é possível e que sobre a Terra, ainda que se diga o contrário, há pessoas felizes. Se há, não sei. Mas sei que, por um instante, mínimo que seja, seus olhos brilham. Ou brilharam, um dia.

Eu tinha onze anos e através de um disco e de uma estação, descobri a vida, o sentido. Muitos talvez o façam por outros meios ou princípios, muito diferentes dos meus. Que seja! Se não fosse assim não valeria a pena. Seríamos apenas parte de um organismo qualquer. Sim, somos parte, mas também aparte. E com isso digo que somos únicos, uma experiência em si e irrepetível. Em 1973 houve um disco e um verão...

MAYRANT GALLO. Publicada originalmente no Correio da Bahia, em 04/02/2007.



Escrito por M. Gallo às 22:45
[   ] [ envie esta mensagem ] [ ]


[ página principal ] [ ver mensagens anteriores ]


 
Histórico
    Categorias
      Todas as Categorias
      Evento
      Citação
    Outros sites
      UOL - O melhor conteúdo
      BOL - E-mail grátis
      Miniconto
      Rita Lee
      Rascunho
      Bestiário
      Estante Virtual
      L&PM
      CD Point
      2001 Vídeo
      Verbo 21
      Cronópios
      Traça
      Simplicíssimo
      Vitor Ramil
      Jornal dos Sports
      Sidarta
      Idéias e Histórias
      Baratos da Ribeiro
      Edições K
      Câncer de Mama
      Panorama da Palavra
      Bagatelas!
      Concursos Literários
      Impressões de Ontem
      Estações Ferroviárias
      Carlos Ribeiro
      Carlos Barbosa
      Entrelivros
      Vaia
      Digestivo Cultural
      Viajando...
      Pôsteres de Cinema
      Amauta Editorial
      Escritoras Suicidas
      InterCidadania
      Entretantos
      Flickr
      Márcia Maia (1)
      Márcia Maia (2)
      Sandro Ornellas
      Quintana
      Cozinha do Cão
      Domínio Público
      Design Editora
      Polichinello
      Camille
      "Entre Aspas"
      Marcelo Barbão
      Foto-Síntese
      Madame K
      Setaro's Blog
      Embrulho no Estômago
      Germina
      Wladimir Cazé
      CosacNaify
      Brandão Sebo
      Flavio Luiz Cartum
      Vestígios da Srta. B
      Notas Mínimas
      Katia B
      Futeboleiros
      Aeronauta
      Ualmanak
      Anjo Baldio
      Ana Cecília
      Barefoot
      Veículo Voador
      Imagens e Palavras
      Cavalo de Ferro
      O Muro e outras...
      Veredas
      Geringonça
      Cavaleiro de Fogo
      Gerana Damulakis
      Portal Solaris
      Menalton Braff
      Blog do Menalton
      Thomaz Albornoz Neves
      Eu ao Meu
    Votação
      Dê uma nota para meu blog