C O N T R A M Ã O


CONTO

Sobre café e cigarros, de Jim Jarmusch.

UM ODOR GOSTOSO DE CAFÉ

"Você mudou, mudou muito!"

Adélia acabou de surpreender a sobrinha em seu quarto, na cama de casal, enroscada com Fábio, a blusa completamente aberta e os seios, brancos, saltitando próximos aos lábios do rapaz, que, por sua vez, já estava com a calça desabotoada, zíper descido, a cueca azul aparecendo... Surpreendeu-os depois de entrar em casa e deparar com o menino assistindo a um desenho na tevê, a mão imersa numa tigela de pipoca. Sua intuição a empurrou para seu quarto. Nem falou com o menino. Premida por uma primeira angústia (a inesperada demissão do emprego, no qual estava desde antes de se casar), soube naquele instante que estava por mergulhar em outra, não menos dolorosa. Foi então que, ao abrir a porta do quarto, viu a massa de corpos, e as duas cabeleiras desgrenhadas confundindo-se numa ousada inclinação. Ao vê-la, o rapaz saltou da cama e, abotoando a calça, tentou escapar. A reação de Adélia foi inusitada. Ela se firmou na perna boa, levantou a outra e desfechou um violento golpe no flanco do rapaz, que oscilou por um instante e caiu, com um ruído pesado.

"Moleque! Saia de minha casa!"

A fuga do rapaz deixou no quarto um rastro de silêncio. Os lábios de Adélia tremiam, e ela esfregava com as duas mãos a perna dolorida. Berta começou a abotoar a blusa. Não sabe o que dizer, parece embaraçada e sobretudo entorpecida pela rapidez e brutalidade dos últimos instantes, como se a tivessem jogado dentro do copo do liqüidificador. Essa é a imagem que lhe ocorre, talvez porque, minutos antes, na cozinha, ela tivesse usado o liqüidificador... Sente-se igual ao abacate trucidado pelas lâminas e poupado de sua vontade de apodrecer. Se todas as mulheres terão de apodrecer um dia, chegou sua vez, seu começo, apenas isso, nada mais. Pelo menos é com alguém que ela admira e ao lado de quem se sente feliz, imersa numa densa atmosfera de expectativa. Alguém com a pele quente e mãos suaves, quase humanas. Alguém que a beija não apenas para que ela se umedeça lá embaixo, mas porque gosta de seus lábios, do calor e da maciez de seus lábios, do brilho do esmalte de seus dentes e da aspereza de fruta de sua língua. Muitas das mais doces falas do rapaz, pronunciadas com ardor na escuridão dos corredores e das escadas, voltam a fustigar Berta, naquele curto instante em que Adélia toma fôlego e massageia a perna.

"Você mudou muito!", a tia repete, decepcionada. Depois senta-se à beira da cama e chora, a cabeça baixa, enfiada nas mãos. "Estou sem trabalho... Compreende? Sem trabalho!", deixa escapar, num lamento.

E começa a socar, desesperada, as pernas da garota, ainda estirada na cama, numa pose sensual, os dedos no trabalho de fechar um a um os botões da blusa. Berta sacode as pernas, como se lutasse contra um enxame de insetos, e afinal livra-se dos golpes da tia. Após um momento, costurado de silêncio e vertigem, Adélia volta a desfechar novos golpes, que, no entanto, morrem, semelhantes a pássaros abatidos, sobre a colcha amarfanhada. Berta pulara da cama e já se dirigia à porta. De lá, parada na soleira, uma mão ainda a ajeitar os botões da blusa e a outra a consertar a saia, diz, sem olhar a tia: "Desculpe". E sai.

Adélia a ouve se deslocar pelo apartamento em direção à cozinha. Passado um momento, escuta um tinir de talheres e pratos, e o jato viril da torneira. Também o crepitar do isqueiro elétrico do fogão, seguido de um som mais grave e seco, da mesinha do café sendo armada. De olhos fechados, espanta-se com o fato de que os sons da cozinha lhe cheguem tão nítidos, tão precisos, principalmente porque na sala o menino está com a tevê ligada, num volume elevado, estrepitoso... Nem chega a intensificar em reflexões seu espanto. Uma mão leve, terna, pesa sobre seu ombro, e quando ela abre os olhos vê o menino. Tão parecido com o pai! Com seus olhos intensamente negros, boiando num branco limpo e esmaltado, desprovido de luz porque desprovido de umidade, de esperança. E Adélia se lembra de como o marido vivia banhando os olhos de colírio; antes de dormir, ao acordar, quando chegava da rua, do trabalho, as pupilas secas, ásperas de poeira. Às vezes, ela mesma o pingava naqueles dois espelhos onde se entrevia, sem temor, o desconhecido. E o marido fechava e abria os olhos, num alívio envolvente que a contaminava. Os dias do marido muitas vezes eram cruéis, a vencer em solidão longas estradas por escaldantes regiões. Sempre receou que ele se fosse num acidente e a deixasse só, com o menino. Por vezes, demorou a atender o telefone, nas melancólicas tardes de inverno, com medo de que fosse uma má notícia, de que a voz do outro lado dissesse, em meio a uma seqüência de significativas pausas: "Sra. Adélia... lamento muito... mas seu marido sofreu um acidente e..." A conjunção "e" era o que mais a amedrontava. Receava a ferida que ela lhe abriria, como um implacável cutelo. Por ironia do destino, a morte do marido veio com ela ao lado, colada ao seu braço musculoso. Ninguém precisou lhe dar a notícia. Quando o carro se imobilizou, embora uma das rodas ainda se movesse com certa velocidade, voltada para o céu, Adélia se mexeu em meio às ferragens e, mesmo aguilhoada por uma dor na perna, fitou o marido inerte ao seu lado, como se dormisse pacificamente em sua cama, depois do amor. Soube então que o perdera. Que jamais o veria de novo, que seus olhos tinham virado poeira de fato, e seu corpo, uma massa imóvel, de carne, sangue e ossos. Seus olhos se encheram de lágrimas e ela começou a perder a consciência; sua mente trafegou da luz para a escuridão e por várias horas, até acordar numa cama de hospital, sonhou que o marido a abandonava, sem nem ao menos lhe deixar um bilhete de despedida (as pobres palavras que ferem ao mesmo tempo que esclarecem), e era isso, surpreendentemente, que mais a espantava, não necessariamente o abandono (mais cedo ou mais tarde este é o drama de qualquer casal): que ele não lhe tivesse deixado um punhado de palavras...

Agora só lhe resta o menino, com aqueles mesmos olhos e a tendência a silenciar e deixar os minutos escorrer, livres, em seu fluxo contínuo e imutável. A mão do menino em seu ombro... É como se o marido, de volta, a consolasse, com sua fadiga e seu silêncio de sempre. Adélia abraça o filho. Fica assim, cosida ao corpo tépido da criança, enquanto na cozinha os ruídos se sucedem, agora de talheres e de pratos levados à mesa e ali postos para a refeição. Um odor gostoso de café sobe no ar e lentamente se espalha. Adélia puxa o menino pela mão até o quarto que ele divide com a prima. Entram. E ela logo percebe sobre a cama a mala e a mochila...

"Você vai viajar?!", grita, do corredor.

Silêncio. Adélia vai à cozinha e repete a pergunta, intrigada com o silêncio da sobrinha.

"Estou grávida", ela diz, afinal, sem emoção.

Depois de um momento, Adélia a abraça:

"Berta, Berta..."

MAYRANT GALLO. Publicado originalmente no Correio da Bahia, em 14/01/2007.



Escrito por M. Gallo às 20:50
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UM POEMA DE MÁRCIA MAIA

Antes do pôr-do-sol, de Richard Linklater.

ANTES DO ENTARDECER

a solidão desperta.

solta os cabelos desdobra os
dedos espreguiça.

(a vida pára espera silencia.)

a tarde de espaços ensolarados
imensos hesita.

(faz-se em vento frio o que
era brisa.)

o azul porém mantém-se intacto.

afinal também amam o azul
a solidão e os solitários.

MÁRCIA MAIA. Poetisa pernambucana. Uma das vozes mais refinadas e originais da poesia brasileira atual. Publicou Espelhos (2003), Um tolo desejo de azul (2003), Olhares/Miradas (2004) e Em queda livre (2005), que inclui o belo poema acima.



Escrito por M. Gallo às 17:56
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O PRIMEIRO CONTO DE 2007

Aos treze, de Catherine Hardwicker.

O VERÃO DE ROBERTA

Foi depois do Ano Novo, antes do auge do verão, que Roberta mudou. É possível afirmar que ela não mudou, mas foi mudada. É o que mais facilmente ocorre. Uma mudança voluntária exige muito de alguém, constitui uma soma inumana de esforços, e Roberta não era assim tão decidida e obstinada a ponto de se impor uma transformação, por si mesma. Deixou-se levar, esta é a explicação mais provável. Como um sapato velho na enxurrada. Ou se deixou alterar como uma parede que, à força do tempo, arruína-se. Quando se deu conta, estava beijando um dos garotos do prédio. Ele até se assustou. Ela havia deixado a criança lá em cima com a tia e descido de novo. Do grupo de garotos da galeria lá embaixo, aquele não era nem de longe o que ela mais admirava. Se é que o admirava. Mas algo a empurrou para ele, ou foi apenas o acaso, já que naquele momento ele era o único que sobrara.

De volta, noite avançada, foi uma ingenuidade sua achar que todos ainda estariam por ali, à sua espera. É certo que ela era bonita e eles a desejavam, mas como ela havia inúmeras outras garotas, no prédio e no bairro. A Princesa, do 403, por exemplo, que permitia que eles a acariciassem na escada às escuras. Ela só disparava quando percebia sob a calcinha a mão afoita. "Não", sussurrava, e desaparecia escada abaixo. Ficavam então as mãos vazias, com o seu perfume ainda as impregnar, intenso, doloroso. Pouco a pouco os garotos se dispersavam, cada um com seu sonho mau. Havia também Vanessa, quatro andares acima. Ela não permitia tanto, que lhe apalpassem as coxas e os seios miúdos, mas acariciava os garotos à vontade, em pontos que nem eles mesmos supunham importantes. E sobretudo ali, naquela tumidez incontrolável e que eles, às vezes, nem se preocupavam em disfarçar. Certa vez, Fábio, do sexto andar, foi tocado pela suprema felicidade. Vanessa o aliviou em sua própria casa, com a mãe dela no quarto ao lado, eternamente deitada depois do último aborto. Era Vanessa quem cuidava de tudo. Nem ia mais à casa do pai, para os fins de semana. Ficava com a mãe e com Fábio, a quem chamava para passar com ela as noites de sábado, mas com uma condição:

"Não podemos dormir juntos, nada de transar".

Do alto da cama, depois que as luzes se apagaram, ela baixou a mão sobre ele, que dormia ao seu lado, no colchonete jogado no chão, e o tocou... Desde a hora que chegara, ele já estava pronto, no ponto máximo, sem disfarces. Uma ação de segundos, então, ao fim da qual, limpando os dedos, Vanessa riu, com doçura e algum sarcasmo.

Era isso, portanto, o que esperavam de Roberta: que fosse como Vanessa ou a Princesa. Na verdade, esperavam mais, ainda que ela corresse o risco de engravidar. Sozinhos, os garotos conversavam sobre outras alternativas... Que é possível traçar uma garota sem engravidá-la, inclusive sem o uso de preservativos... E todos riam. A sonhada posição os conduzia a um torpor que teimava em não passar. Era preciso que alguém dissesse algo, um piada naturalmente, ou fizesse um gesto obsceno, que lhes devolvesse a razão, o riso. Desde a primeira semana de Roberta no prédio que eles tentavam com ela o que Vanessa e a Princesa não concediam. Mas Roberta também tinha seus escrúpulos. E muito mais rigorosos que os de suas colegas. Era calada, contida, quase fria. Por mais de um mês, o quanto durou o assédio dos garotos, ela só permitiu uma única vez ser escorada na escada da garagem. Por Fábio, que cometeu o erro de se entusiasmar, falar demais. E assim Roberta recuou, desapareceu, não mais descia com a criança ou, quando descia, ia direto à praça, onde ficavam: ela alheia e lendo, a criança brincando.

Ao voltar à galeria, Roberta avistou Dago de pé na porta de entrada. Ele olhava a noite, a praça vazia, as portas cerradas das lojas em frente, por trás das árvores e dos poucos automóveis estacionados. Chamou-o quase num susssurro e, quando ele se voltou, ela correu para a escada da garagem. Ele a seguiu. Ela estava encostada na parede, com as coxas ousadamente abertas sob a saia curta, um pé em cada degrau. Arfava. Mal ele se aproximou, ela o beijou na boca, forte, rápido, e depois correu. No alto da escada, parou um instante e o provocou. Seu olhar sorria, e sua boca parecia esmagada, lúbrica, desejosa. Seu último gesto foi o de suspender a saia e correr. Naquela noite, Dago não dormiu, obcecado por aquela visão sem panos. De manhã, ao relembrar o fato, prometeu a si mesmo fazer de tudo (o impossível) para estar com Roberta. Se não naquela escada (tão incômoda), na casa dela, na ausência de sua tia, como Fábio na de Vanessa, a mãe desta ao lado. E levaria um brinquedo para a criança...

Quando os companheiros souberam que Dago passara a dedicar a Roberta um outro tratamento, começaram a pressioná-lo. Não pouparam esforços até descobrirem tudo. A ação decisiva foi brutal e se deu no terraço, lá em cima, com o céu negro sobre suas cabeças. Dago choramingava, como se estivesse sendo torturado. E de certa forma estava, ora sufocado pelos gritos, ora apaziguado por acariciantes sussurros. A certa altura, num ato de implacável desdém pelo companheiro, Fábio e Henrique fizeram voz de garotas. Dago não conseguia dissimular o pânico, agravado pela noite, por aquele céu turvo e sem esperança, que parecia descer sobre ele. E de repente molhou as calças... Risos estouraram.

"Assim ela não vai te beijar nunca mais!", alguém disse, sem piedade.

O bando lhe deu as costas em silêncio, já pensando, cada um de sua parte, no que fazer para conseguir de uma vez por todas os favores de Roberta. Algo lhes dizia que ela, diferentemente de Vanessa e da Princesa, se abriria, e talvez não apenas para um único felizardo, um único palerma como Dago. Mas para todos, um de cada vez, pois, afinal de contas, ela o convocara, fora ela quem o atraíra, quem o chamara e correra, brindando-o com um beijo que bem poderia ser outra coisa, se Dago não fosse tão estúpido, não tivesse as mãos presas e tão pouca imaginação, quase nenhuma malícia.

"O que pedem as mulheres?", Fábio leu, um pouco mais tarde, num livro que era sua Bíblia. "Que as façamos se despir para o que não têm coragem de fazer... São os homens que conferem às mulheres a exata medida do seu desejo. São eles que as fazem crer que de fato desejam..." Foi nesse momento que ele percebeu passar pela janela do seu quarto uma sombra, um corpo, que logo promoveu, lá embaixo, sobre os carros, um barulho estranho e novo. Ele se levantou, abriu a janela e espiou. Em meio às luzes e às falas de espanto, um corpo imóvel. Um corpo que ele conhecia e que ajudou a humilhar. E aquele cheiro acre de urina que não o deixava nem ali...

MAYRANT GALLO. Publicado originalmente no Correio da Bahia, em 07/01/2007.



Escrito por M. Gallo às 16:34
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A POESIA DE PAULO MENDES CAMPOS

Foto: Bird one, de Aldo Visto.

LÁPIS-TINTA

Se eu levar este poema de encontro a meu peito
E apertá-lo contra o coração,
Ele ficará impresso em minha carne
Com as suas imagens invertidas,
Mais indecifrável do que nunca.

- Mas não deixará de ser um poema.


DEFINIÇÃO

O tempo não é a fonte
Jorrando dois jatos dágua
De uma carranca bifronte

Não é pesado nem leve
Não é alto nem rasteiro
Não é longo nem breve

Nem tampouco o passadiço
Suspenso entre dois vazios
Como frágil compromisso

O tempo é meu alimento
Meu vestido, meu espaço
Meu olhar, meu pensamento.


POEMA DE DEZEMBRO

Teu corpo criará raízes no meu pensamento.

Eu te espio de perto
Querendo apagar o teu rosto com a mão.
Ando mais depressa que o teu desejo.

És bela
De uma juventude que arrisca as horas maduras.
À tarde, o verão agrava-te a beleza.

Nós adoramos a praia e ficamos eternos.


CANTIGA PARA HÉLIO PELLEGRINO

Boi. A tarde esmorece do que foi.
Do que será noturno é que se tece o boi.


LEMAS DO MEU CAMINHÃO (extrato)

Nem tudo na vida passa,
sobretudo o que passou:
amassada na vidraça,
vendo a chuva que não passa,
sou a cara do menino
que jamais desamassou.

PAULO MENDES CAMPOS (1922-1991). Poeta, cronista e jornalista mineiro. Poemas extraídos de Poemas de Paulo Mendes Campos (Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 1984) e Trinca de copas (Rio de Janeiro: Achiamé, 1984). Foi também um ótimo tradutor de poesia.



Escrito por M. Gallo às 07:07
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4 POEMAS DE THOMAZ ALBORNOZ NEVES

Foto: Vem a noite, de Eduardo Amorim.

"Se escrever não fosse uma experiência intensa o suficiente para dar mais vida à minha vida eu não escreveria."

ORÁCULO

Recorda e terás esquecido
nada ocorre por acaso
não há destino escrito


O TAUMATURGO

O taumaturgo tombado
na enseada deserta

Sendo
o próprio milagre

O desejo sua beleza


A OSTRA

É ostra
por dentro
a pérola


PAMPA

O verdor acima do campo
As folhas a um fio dos galhos

O peso do pássaro voando
na sombra do pássaro voando

No silêncio
o pedaço de silêncio
em tempo algum quebrado

No ar
o pouco de ar jamais respirado

THOMAZ ALBORNOZ NEVES. Poeta gaúcho nascido na fronteira com o Uruguai. Seus poemas são rápidos, precisos, condensados e voláteis. Considerado pelo poeta e crítico Bruno Tolentino um dos mais expressivos poetas atuais da linhagem do italiano Ungaretti. Poemas extraídos de Sol sem imagem (Rio de Janeiro: Topbooks, 1996).



Escrito por M. Gallo às 12:43
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