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CONTO

Rural Willys 4x2, 1964, Gilson Alves Bevilacqua, S.André, SP.
OS PASSARINHOS SÃO OS MESMOS
O ônibus parou na rodovia, e um rapaz desceu, uma pesada mochila nas costas. Pequeno no acostamento, olhou para um lado e outro, enquanto o veículo se afastava e por fim sumia, dois olhinhos vermelhos somente, na escuridão. Do outro lado, a distender-se no vale, silenciosa, a cidade era uma massa de luz tênue e amarela. O rapaz atravessou a pista e desceu em direção às primeiras casas. Para além da cidade, mais luzes tremulavam sobre o mar.
Era tarde, e ele não encontrou ninguém. Nem um bêbado. Muitas casas já estavam às escuras, e as ruas desertas pareciam sonhar, alheias a qualquer movimentação. Edu caminhava indeciso, mas, mesmo assim, muito menos hesitante do que imaginara. Oito anos longe não são oito dias. Estava agora com 27 anos e não possuía mais a vitalidade de antes, quando partira. O entusiasmo então, quase que o perdera por completo. Sobretudo depois que soube da morte do pai...
"Morreu? Morreu como?", perguntou à mãe.
"Há duas semanas..."
"E a senhora não me ligou...?"
Dias mais tarde ele decidiu que voltaria. Que iria ver a mãe, sozinha agora, na grande casa no fim da rua. Durante a viagem, pensou na Rural, o velho carro do pai. Ele nunca mais o mencionara. Será que ainda existia? Era bem provável que não. Ou se transformara em ferro-velho ou estava na garagem de algum rico colecionador, imóvel.
"Como o pai morreu?", perguntou, pelo telefone, da estrada.
"Dormindo. Gemeu, pensei que estava sonhando, mas, de manhã, quando o toquei, estava frio como uma porta de geladeira...
Ele ficou sem saber o que dizer. Morrer dormindo. Transporte de um estado sereno a outro, mais profundo. Talvez esta fosse a melhor das mortes. Completamente indolor. No ônibus, enquanto a paisagem fugia, lembrou de sua infância, de seu pai, de sua habilidade com as mãos, o gosto de consertar qualquer coisa e também de montar brinquedos, que chegavam pelo correio em grandes caixas: o Titanic, o Concorde, outros. Por que partira, oito anos antes, se tinha tudo, um lar, o amor dos pais, a atenção necessária pela qual reclamam os jovens rebeldes? Simplesmente porque é preciso devorar horizontes, chegar a algum lugar, estar consigo mesmo, sob seu próprio controle.
Antes de alcançar a casa, ele avistou a luz da varanda, e a mãe, de pé, à sua espera. Emagrecera tanto, que, mesmo de longe, era possível sentir a fragilidade de seu corpo. Quando ele a abraçou, sentiu-lhe tão exíguas as carnes, de uma matéria tão frágil e débil, que foi como se a colhesse em seu peito para sempre, fundindo-a aos seus músculos, soldando-a aos seus ossos.
O dia o surpreendeu em seu antigo dormitório. A mãe já se levantara e mexia e remexia na cozinha. No ar um cheiro bom de café. Foi isso, aliás, que o despertou, não os ruídos de pratos e talheres e panelas, que a mãe, meio surda, sacolejava na manhã. Edu passou do quarto direto para o quintal, nos fundos, ignorando o resto da casa. Procurava o carro, a Rural, sobre cujo destino, na noite anterior, esquecera de perguntar à mãe. Ainda existiria? A mãe o viu passar pela lateral da casa em direção à garagem. Sabia o que ele buscava e apenas sorriu, enquanto despejava o café na garrafa térmica.
A garagem estava trancada, sinal de que a Rural se encontrava ali, intacta. Satisfeito, Edu sorriu e, ao se virar, avistou um rosto, que o fitava por sobre o muro. Léo. Seu amigo de infância. Desde que o pai de Edu morrera, que Léo vinha todas as manhãs e ficava ali, parado, atrás do muro. A mãe de Edu, quando o via, apenas balançava a cabeça. Mas Léo sabia que o amigo voltaria, mais cedo ou mais tarde, ainda que fosse só por alguns dias, para revirar as coisas do pai... Aquele carro, por exemplo. Uma raridade na região e talvez em todo o estado. Os dois se abraçaram, forte e demoradamente. Depois sentaram-se nos degraus da varanda e ficaram conversando. Uma pequena revoada de passarinhos invadiu o quintal, trinando. Faziam ti-ti-ti, num alvoroço ensurdecedor. Catavam alguma coisa pelo quintal, os farelos de pão que a mãe de Edu jogara logo cedo, ao começar a batucada na cozinha.
"Os passarinhos são os mesmos", Edu comentou.
"São sim", Léo assentiu.
Havia entre eles uma barreira de oito anos e algumas mudanças. O fim do gosto pelos quadrinhos. O fim do prazer de ouvir rock. O fim da insegurança diante das mulheres, substituída por uma petulância carnal. E isso era mais do que suficiente para silenciá-los. Súbito, ocorreu a Edu perguntar pela família do amigo, em especial por sua irmã...
"Como você, Diana foi embora. Deu um basta a essa cidade estúpida."
Da porta da cozinha, a mãe de Edu os chamou para tomar café. Na mesa, o assunto do carro veio à tona, e a mulher garantiu que a Rural estava sim lá dentro, na garagem, embora não soubesse, não mesmo, por onde andava a chave do cadeado.
"Nem provavelmente da ignição...", Edu frisou, rindo. A mesma força rebelde que o impulsionara para longe o trouxera de volta.
Por algum tempo o café prosseguiu em silêncio. Até que a velha disse:
"Foi por isso que você voltou? Pelo carro?"
Léo tentou interceder, conciliador, antes que a batalha entre mãe e filho, constante no passado, se instalasse. Edu ignorou a interferência do amigo e falou, sem convicção, mas em tom de desafio:
"Acho que sim".
Não era o que a viúva pretendia ouvir, e por isso ela se levantou e começou a desfazer a mesa. O enorme pão, destroçado, ficou sozinho entre os farelos. No ar, o odor de café era só uma lembrança, uma nódoa. Ela ainda não começara a lavar os pratos, quando os primeiros golpes de machado fizeram-se ouvir na porta da garagem. Lamentou-se então por não ter feito o serviço completo e enterrado o carro.
MAYRANT GALLO. Publicado no Correio da Bahia, em 27/08/2006.
Escrito por M. Gallo às 11:45
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PLUTÃO REBAIXADO
Foto: www.pjpedrosa.kpd.com.br.
PLUTÃO, EM MEMÓRIA
Que importa se Plutão
Não é mais um planeta
Ou só um planeta-anão?
Que importa?
Ele continua lá,
Na vastidão do universo
E abrir é fechar portas
Ou o inverso.
MAYRANT GALLO. Ontem, em Praga, os cientistas se reuniram para rebaixar Plutão de planeta a planeta-anão. E daí? Uma simples convenção, como o próprio homem.
Escrito por M. Gallo às 21:22
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UM CONTO COM VICTOR VHIL
Fonte: Fotosearch.
SILÊNCIO BRANCO
Quando Victor Vhil saiu da clínica, finda a primeira bateria de exames, o gato estava três casas adiante, na mesma calçada. Ele o avistou parado à sombra de uma árvore, a lamber calmamente a pata e espantar, também calmamente, e com a mesma pata, as moscas que voavam à sua volta. Victor se aproximou e, sibilando o ar por entre os lábios, conquistou-lhe a atenção. O gato veio até seus pés e começou a se esfregar em suas pernas. Victor se abaixou e, desajeitadamente, acariciou sua nuca. O animal estranhou por um momento, mas depois se entregou à carícia, ao calor, àquele movimento ondulante e compacto, que lhe arrancava arrepios e parecia devorar-lhe os sentidos.
Dias mais tarde, Victor voltou à clinica para novos exames. Mais dolorosos e menos sutis. O médico era criterioso e pretendia varrer seu organismo antes de qualquer diagnóstico. Na chegada, bem cedo, não viu o gato. Lembrava-se perfeitamente do animal, de sua cor, seu pêlo, o brilho de seus olhos, sua expressão de indiferença, mesmo durante o afago. "Como uma prostituta", pensou, "se distancia quando o cliente prorrompe em carícias." Victor é assim, nunca esquece, traz tudo à tona dos olhos, à ponta da memória, como se acabasse de sofrer a pressão dos eventos. No fundo, em sua mente, ele acabou de acariciar o gato. Não, acabou de deixá-lo. Não ainda: acabou de se voltar para ele, da esquina, e lançar-lhe um último olhar. Está ainda se preparando para dormir, entrando no banheiro, saindo, escolhendo um livro na estante, acendendo o abajur de cabeceira, percebendo que quase esqueceu o lápis, com o qual faz anotações nas margens das páginas, e acabou de abrir o livro, e então cochila, o olhar imerso numa emaranhada profusão de cenas, e o gato não lhe abandona o pensamento, está nele como num telhado à noite de lua, pleno de cio. Aliás, a imagem que melhor define a efervescência de sua mente é esta: um telhado. Nela, os fatos, as lembranças, as dúvidas, os estigmas, como telhas cuidadosamente imbricadas sob o sol, jazem em perfeito plano e todos igualmente à disposição de uma mão carente ou um possível vendaval. Não há hierarquia de natureza alguma. Há somente uma devoção cega à sua vontade, e silêncio, silêncio branco.
Todavia, neste segundo dia de exames, Victor abandonou a clínica levemente combalido e entregue a seu notório pessimismo, sem o qual seguramente se renderia de uma vez por todas ao sono. Passou a se sentir enfermo, perto do fim. Ora devido aos efeitos concretos dos exames, ora ao que estes produziam em sua fabulosa percepção de artista. O gato tornou-se-lhe um alívio. Ao vê-lo, sentiu-se melhor, novo, de volta. Após semanas de cama, tornava à vida. Por bem pouco não abraçou o gato. Por menos ainda não o levou para casa. Mas era de raça, siamês, pertencia a alguém. A alguma das imponentes casas em volta da clínica, nessa bela e arborizada rua dos Barris, ainda familiar e repleta de perdidos dramas cotidianos. Ao lembrar-se disso, de pronto largou o gato, que, assustado com a aspereza do gesto humano, soltou um longo miado e atravessou o primeiro portão de ferro que avistou. Arrependido, Victor se agarrou às grades e tentou recuperar-lhe a confiança. O animal, no entanto, ainda mais assustado, galgou rapidamente os poucos degraus da escadinha e passou à varanda da silenciosa casa. Nesse momento, às costas de Victor, alguém perguntou se ele desejava alguma coisa. Um homem, de maleta e com o paletó atravessado num dos braços. A gravatinha vermelha mal disposta e as mangas da camisa arregaçadas além dos cotovelos. Parecia voltar de uma noite terrível.
"Não, nada", Victor murmurou.
"Então, com licença."
A porta bateu. O homem passara pelo gato sem sequer notá-lo. Bem, estava com sono, exausto, louco por um banho. Seu rosto amarrotado o denunciava, e ainda mais suas roupas, amarfanhadas. Era como um jornal lido e esquecido. Victor voltou as costas para a casa, o gato, o homem, e se foi, na manhã ainda indecisa, de uma claridade tênue, sem a cruel lâmina do sol a devassar as cabeças.
Uma semana depois, quando retornou para os últimos exames, mais complexos e precisos, surpreendeu o gato ao lado do portão, encostado à parede, quase como se fosse uma pessoa, parcialmente de pé sobre as pernas traseiras. Ao passar, apressado, pois estourara a hora marcada, ouviu o animal soltar um gemido. Doce, melodioso, irônico. Pelo porte, pelo olhar, dava a entender que havia ultrapassado o tempo dos miados. Victor o contemplou com horror, transpôs o portão e empurrou a porta de vidro.
Ao longo da manhã os exames o fizeram sofrer como nunca. Sozinho na sala, chegou a chorar, lenta e silenciosamente, confinado à brancura fria da cama. Quando a enfermeira entrou, de volta, ele enxugou os olhos na manga do camisolão e tentou encará-la com naturalidade, admirar sua beleza, indiferente à sua dedicação profissional. A moça sorriu e afagou-lhe o braço. Sua mão era fria, como o resto da sala, e tão neutra quanto o brilho de seus olhos, verdes, distantes, estrelas caídas num lago. Olhos que, apesar de tudo, Victor Vhil demorou a esquecer, se é que esqueceu, ele, que nada esquece, que tudo retém, e de um jeito impaciente e possessivo, como se estivesse de partida para outro mundo, passando a outra vida, menos infeliz que esta.
Passava do meio-dia quando foi liberado. Vestiu-se, assinou os papéis e saiu. Teve a impressão de que às suas costas as pessoas se compungiam, gentis e ao mesmo tempo chocadas. Lá fora, ao vencer o corredor ensolarado e de cuja superfície, de cimento áspero, subia um indefectível odor de aridez, amuou-se, certo de que ia morrer, em breve. Talvez. Esta é uma possibilidade sempre presente, o forro da própria vida, o pouco de sentido que diariamente a envolve, sob os clarões do nada.
Mal abriu o portão, avistou o gato, pretensiosamente acomodado à sombra de uma árvore, do outro lado da rua, branca como um rio de sol. Estava quase todo de pé, exato como uma pessoa, e mais ereto que Victor, curvado pelo peso dos exames, pela manhã perdida, lançada à mão incerta do acaso, do tempo a se escoar, irreal e impiedoso, para um fluxo cada dia mais intenso, mais intrépido. E havia um detalhe medonho naquele gato: a gravatinha vermelha e mal-disposta...
MAYRANT GALLO. Publicado originalmente no Correio da Bahia, 20/08/2006.
Escrito por M. Gallo às 22:30
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A FORÇA DO MÍNIMO: POEMAS DE LORINE NIEDECKER
Edward Hopper (1882-1967)
Algo na água como uma flor vai devorar
água
flor
*
a conversa do rádio esta manhã era de obliterar o mundo
percebo moscas de frutas que voam em volta da casca do sugerido melão
*
Minha amiga árvore eu serrei seu tronco mas tenho que visitar um velho amigo o sol
*
Sua erudição a flor elegante a qual
minha chicória azul ao lado do mato do fosso do campus
ilumina
LORINE NIEDECKER (1903-1970). Poetisa norte-americana de uma região remota e rural de Wisconsin. Publicou New Goose (1942) e Collected works (2002). Isolada e negligenciada, foi bibliotecária, funcionária de estação de rádio e faxineira de hospital. Nos últimos anos, surpreendentemente, o interesse por sua poesia cresceu. Tradução de Virna Teixeira.
Escrito por M. Gallo às 16:42
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SEIS POEMAS DE A. CAFÉ-GALLO
Foto: Renata Lepage.
graça
rara
passa:
garça
*
aranhazinha
no livro de semântica
insistente
que sentido isso tem?
diz que só sua teia tem sentido.
*
a lagartixa se espicha
e larga em mim
sua preguiça
*
EPIGRAMA AXIOMÁTICO
nós fazemos
e eles fazem:
fezes
*
entranha-se o sol no chão
para subir ao céu do Japão
*
HOLOMETABÓLICA
lagarta
largata
largada
larga a casa
ganha asa
azar de quem não gosta
A. CAFÉ-GALLO (1967). Pouco a pouco, ano a ano, o "livrinho" desta poetisa vai se concretizando. Mas ela continua bissexta, escrevendo só de vez em quando. Quem quiser ler mais, procure aqui, no primeiro dia do ano...
Escrito por M. Gallo às 20:52
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TRÊS POEMAS INÉDITOS DE MÔNICA MENEZES
O eclipse, de M. Antonioni.
PRIMEIRA EPIFANIA
A primeira vez que vi o mar
Eu senti medo
Não medo do mar
Medo da minha ânsia
De me misturar às suas ondas
SOBRE A LUA
A lua,
às vezes,
é triste,
é meia.
Porém,
inventa artifícios
de fazer-se alegre
de fazer-se bela
de fazer-se inteira.
PERDIÇÃO
Procurei você
no céu e na terra
Indaguei aos ventos
Perguntei à lua
Inquiri ao sol
Mergulhei fundo no mar
Gritei alto da mais elevada montanha
Vaguei sozinha por todas as vias
(durante noites e dias)
Subi aos céus
Desci louca aos infernos
E nem assim consegui te encontrar
Meu grande amor
que eu perdi
sem alcançar
MÔNICA MENEZES. Sem livro publicado ainda, Mônica é um dos poetas arrolados no Concerto lírico a quinze vozes (Salvador: Aboio Livre, 2004).
Escrito por M. Gallo às 17:51
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TEXTOS DE OUTROS TEXTOS: TÉCNICA LITERÁRIA (2)

Sob o céu do Líbano, de Randa Chahal Sabag.
Um dos procedimentos mais comuns em literatura é a criação de um texto a partir do assunto ou da forma de outro. Na Literatura Brasileira, por exemplo, há uma linhagem de "exílios" cujo alicerce é o poema Canção de exílio, de Gonçalves Dias. Não foram poucos os poetas que escreveram paródias ou pastiches do célebre poema do nosso Romantismo: Oswald de Andrade, Drummond, Murilo Mendes, Cacaso, José Paulo Paes. Alguns temas são quase exclusivos de certas literaturas. Se nossa poesia jamais abandonou o tema da condição de exílio, a literatura de língua inglesa tem na "fuga dos jovens ao seio da família" uma de suas fixações. Nos poemas abaixo, o beatnik Gregory Corso talvez tenha se inspirado em Carl Sandburg, ou talvez ambos provenham de uma mesma matriz. Não importa. De uma forma ou de outra, só comprovam a afirmação de Fernando Pessoa: de que somos poetas exatamente porque existiram outros poetas antes de nós.
FUGA
Todo mundo amava Chick Lorimer em sua vila
Distante.
Todo mundo a amava.
Assim todos nós amamos uma pequena agreste irredutível
No sonho que ela afaga.
Ninguém sabe agora onde está Chick Lorimer.
Ninguém sabe por que razão ela arrumou a mala — algumas coisas velhas —
E foi embora,
Foi, o pequeno queixo
Apontando à frente dela
E o macio cabelo esvoaçando, solto
Do seu enorme chapéu,
A dançarina, a cantora, a alegre e apaixonada amante.
Eram dez homens ou cem seguindo Chick?
Eram cinco ou cinqüenta de alma enferma?
Todo mundo amava Chick Lorimer.
Ninguém sabe onde ela está.
CARL SANDBURG (1878-1967). Poeta norte-americano. Traduzido por Domingos Carvalho da Silva. Poema extraído de O livro de ouro da poesia dos Estados Unidos (Rio de Janeiro: Ediouro, s. d.).
A GAROTA QUE FUGIU
Desde quando ela fugiu de casa
alguém muito esquisito se grudou atrás dela;
tem sido uma paranóia constante.
Como um besourinho roçando no chão.
E todo lugar que ela vai, ele segue atrás.
Na distância que se alonga
ela escuta a mãe chamando chamando;
ela não tem mais tempo de se virar.
GREGORY CORSO (1930-2001). Poeta norte-americano. Traduzido por Ciro Barroso. Poema extraído de Gasolina & Lady Vestal (Porto Alegre: L&PM, 1985).
Escrito por M. Gallo às 21:01
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