C O N T R A M Ã O


CONCERTO VERMELHO

 

     Educação

De manhãzinha

Um avião lá em cima

Vigia Hiroxima...

De repente sai dele

Uma cusparada,

Que faz da cidade

Um nada.

 

     Acidez

Ainda o mesmo cuspe

E puf!

Outra cidade arde:

Nagasaki!

 

     Turismo

Pearl Harbor

Pelo rabo

Se deixou possuir.

E japoneses

Em qualquer época

Se lembram desta pérola.

 

     Vodu

Onze de setembro.

Duas velas acesas.

Se bem me lembro,

Queimaram duas horas.

Mil vidas a hora...

 

     Conversa

"Todo joelho de criança

Tem arranhão, tem corte,

E nunca ouvi dizer

Que disso se morre."

"É, o Titanic era um bote."

 

     Tsunami

A grande onda do mar

Não deixou ninguém se bronzear...

 

     New Orleans

Arte, cor e beleza

Varridas, literalmente, da mesa.

Vassoura necessária

Para a política diária

E o gozo da glória.

 

     Finale

Um avião cai.

Temporada de caça.

 

Mayrant Gallo. De um volume de poemas cujo título provisório é O som das noites.



Escrito por M. Gallo às 19:44
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NA CONTRAMÃO: UM POEMA DE AMOR...

 

Apaga-me os olhos: eu posso ver-te!

Fecha-me os ouvidos: eu posso ouvir-te!

E sem pés posso ir ao teu encontro

e mesmo sem boca eu posso chamar-te!

Arranca-me os braços, e eu te seguro

com o coração, como com minhas mãos.

Pára meu coração, e em mim o cérebro

há de pulsar; e se puseres fogo

em meu cérebro, eu te trarei no sangue.

 

Rainer Maria Rilke (1875-1926). Poeta tcheco-austro-germânico. Seu volume de poemas O livro de horas (Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 1994), de onde se extraiu o poema acima, é considerado um dos mais importantes do gênero no Ocidente. A tradução é do poeta Geir Campos.



Escrito por M. Gallo às 18:53
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ALMAS IRMÃS

"Se por um breve espaço de tempo homens bons e eminentes alegram a nossa casa com sua presença, e com seu espírito ardente excitam a nossa alma, se devido a eles fruímos fartamente a alegria da hospitalidade, depois de seu adeus o mundo se torna vazio, pelo menos até o final do dia, quando voltamos a ficar totalmente sós."

Eduard Mörike (1804-1875). Poeta e prosador alemão, autor de um curioso romance, A viagem de Mozart a Praga, publicado na Alemanha em 1856, no qual faz uma pintura lírica e espirituosa do compositor durante o outono europeu de 1787. O trecho acima foi extraído do romance supracitado, com tradução de G. Altstädter e Maria Cristina G. Arányi, em edição da Veredas (São Paulo, 1989).



Escrito por M. Gallo às 10:55
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