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A vida continua,
para o diabo com os defuntos!
A vida continua,
ainda que muita gente boa morra.
Anne, tome seu café;
Dan, tome seu remédio.
A vida continua,
só me esqueci por quê.
Edna St. Vincent Millay (1892-1950).
Inconformada com os rumos da vida e do mundo, Edna St. Vincent Millay conferiu aos seus poemas força e delicadeza, registrando a realidade e ao mesmo tempo atenuando-a. Essa trilha a consolidou como uma das mais originais vozes da poesia norte-americana moderna. A tradução é de Raul José de Sá Barbosa.
Escrito por M. Gallo às 16:16
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REFLEXÕES DE UM HOMEM NA CONTRAMÃO
O Prêmio Fábio Prado de 1949 foi atribuído à novela Contramão, de Antônio Olavo Pereira. É a história de um funcionário público sem amigos, parentes, esposa nem namorada, e que, ao sair do trabalho, só lhe resta ir para casa, amargar sua condição de ser estranho e solitário; e enquanto caminha ele reflete. Obra única da literatura brasileira, só teve duas edições, a última em 1975, pela antiga José Olympio. Antônio Olavo Pereira era de Batatais, SP, e escreveu mais dois livros de considerado valor: Marcoré (1957) e Fio de prumo (1965). Confiram as reflexões do homem na contramão.
"Cresci e não me tornei maquinista. Tampouco guarda-livros. Sou um funcionário insignificante, vou roendo o milho da nação. A vida é bem outra do que se imagina em criança."
"Haverá muita gente como eu? Possível. Nada sabemos uns dos outros. Palavras pouco significam S fazem parte da aparência geral. A alma não se mostra."
"Talvez a tristeza esteja em mim e se reflita em suas pupilas. Costumo julgar os outros por mim. Não posso servir de padrão para nada. Vivo à margem do mundo, sou uma medida negativa."
"Sempre fui um em imaginação, outro na realidade. Vivo exclusivamente de minhas lembranças. Todo fim de ano faço planos de reforma, idealizo emendas em meu feitio moral e nada realizo. Minha vida não se altera."
"Tanta imagem do passado e nenhuma grande emoção. Só tristeza eu sinto. Entretanto, é dele que vivo, sobre ele me equilibro nesta fuga do real."
"Mais um dia por viver. Igual aos outros S oco, monótono, interminável. Terei de vivê-lo, ainda que com tédio e fadiga."
Antônio Olavo Pereira, em Contramão (1950).
Escrito por M. Gallo às 18:47
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"Vocês, que escrevem, sabem que tudo é decidido pelas palavras: tanto o valor de um poema como o destino de um homem."
Autor: Dezsö Kosztolányi (1885-1936).
Buscar na Web "Dezsö Kosztolányi (1885-1936)."
Quando: mais ou menos entre 1910 e 1930.
No conto O tradutor cleptomaníaco, incluso no volume homônimo, publicado pela Editora 34, em 1996, na Coleção Leste, e que reúne alguns dos mais célebres relatos deste autor, que é uma espécie de Machado de Assis da Hungria. E não por acaso, uma vez que seu estilo é coloquial, de conversa entre amigos, sem pretensão alguma; e seus temas contemplam as facetas e os dilemas mais obscuros do ser humano.
Categoria: Citação
Escrito por M. Gallo às 17:36
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A MÃO DA ATUALIDADE
"A nossa história jamais tem fim. Puxa-se a espoleta de uma granada de mão; alguns segundos mais tarde ela explode e, numa pequena área, homens tombam, mortos e feridos. Resultado: cadáveres a enterrar, feridos a tratar. Viúvas, filhos sem pai e pais desolados. O que desencadeia o mecanismo das pensões, desenvolve o espírito pacifista nuns e ódio duradouro noutros. Neste momento, um homem que se encontrava fora da zona perigosa vê a carnificina causada pela granada, e esta dispara contra o seu pé. Outro homem, que se detivera, dois minutos antes, no próprio local onde o engenho devia explodir, começa, daí por diante, a acreditar em Deus ou numa pata de coelho. Outro homem vê miolos humanos pela primeira vez e conserva esta imagem na lembrança até uma noite, anos depois, em que, finalmente, se sai com uma descrição do que viu, e o horror da sua descrição afasta de si a mulher..."
John O'Hara (1905-1970). Admirado por Ernest Hemingway e outros escritores de sua geração, O'Hara está mais atual do que nunca. O trecho acima abre o capítulo 10 de seu romance Encontro em Samarra, no qual a hipocrisia da sociedade moderna norte-americana (e mundial) é esmiuçada com bisturi incandescente e a verve dos grandes irônicos. A primeira edição brasileira é de 1975, pela Abril Cultural, volume 32 da coleção Clássicos Modernos.
Escrito por M. Gallo às 11:40
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O ESCRITOR DIANTE DOS CRÍTICOS

MAS: "Quem é que não está morto?" (Stanley Elkin. In: Morte ao vivo. São Paulo: Cia. das Letras, 1988.)
Escrito por M. Gallo às 21:24
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CONTRAMÃO DA VIDA
"Aos poucos a fé se enfraquecia. Difícil é acreditar numa coisa quando se está sozinho e não se pode falar com ninguém. Justamente naquela época Drogo deu-se conta de que os homens, ainda que possam se querer bem, permanecem sempre distantes; que se alguém sofre, a dor é totalmente sua, ninguém mais pode tomar para si uma mínima parte dela; que se alguém sofre, os outros não vão sofrer por isso, ainda que o amor seja grande, e é isso que causa a solidão da vida."
Dino Buzzati (1906-1972), em O deserto dos tártaros, obra-prima deste escritor italiano que a cada conto e romance surpreendia críticos e leitores. São muitas as edições deste romance no Brasil. A mais exótica é a da extinta Editora Rio Gráfica Ltda., de 1986, com duas ilustrações de Enio Squeff, volume 12 da coleção Grandes Sucessos da Literatura Internacional, com 248 páginas, em papel jornal. Raridade hoje nos sebos.
Escrito por M. Gallo às 14:21
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MÃO DUPLA

"O passado é indestrutível. Mais cedo ou mais tarde as coisas retornam, e uma delas é o plano de destruir o passado." Jorge Luis Borges (1999-1986)
Escrito por M. Gallo às 22:14
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NA CONTRAMÃO
Esta é para Tom Correia L. e Carlos Barbosa, apreciadores da literatura e do futebol.
"Sua figura era grotesca. As pernas aleijadas, como se fossem duas foices, voltavam-se para o mesmo lado. Para ser figurante de circo, nada faltava. Seu repertório engraçado constituía-se em um só drible; nunca vi coisa igual. Ele nos lesou o tempo todo, com seu futebol de mentiras. Naquele dia, considerei até a hipótese de não voltar a Moscou."
Palavras do russo Tsarev, marcador de Garrincha na Suécia, em 1958. O Brasil venceu a URSS por 2 x 0. Mais que um desabafo, um desabafo com estilo. Um exemplo para a maioria dos jogadores brasileiros, que só sabem falar "o time todo tá de parabéns".
Escrito por M. Gallo às 17:29
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INAUGURANDO
O objetivo deste blog é promover a contramão. Ir contra a corrente. Assim, nem todos cairão no vulcão ou serão volatilizados num novo 11 de setembro. Essa é a idéia. Espero que agrade à minoria sensata.
Escrito por M. Gallo às 12:46
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"Quando todo mundo está indo num rumo, é tempo de ir no outro."
Autor: Breece D'J. Pancake.
Buscar na Web "Breece D'J. Pancake"
Quando: Anos 70.
Excerto de um dos contos do autor, que se suicidou em 1979, nos EUA. Contos cortantes é o único livro de Pancake publicado no Brasil. Traduzido pelo contista e romancista goiano José J. Veiga, chegou às livrarias pela Bertrand Brasil, em 1994. Essa antologia reúne 12 dos melhores contos do autor, que, ao se matar, tinha só 27 anos.
Categoria: Citação
Escrito por M. Gallo às 12:33
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